Sobe, sobe… mas chega a uma altura que não dá mais e
rebenta.
Enquanto crescemos aprendemos a gostar das pequenas coisas e
a dar-lhes valor, mas o que devemos fazer, quando uma dessas pequenas coisas
nos destrói por dentro como uma bomba relógio que sabemos quando vai rebentar?
É como se de repente tudo desaparecesse, como se o mundo
desabasse e só restássemos nós e aquela bomba.
Devemos deixá-la rebentar e matar-nos? Devemos esperar que o
tempo acabe e que a morte chegue e nos leve?
Eu queria lutar, fugir para longe dela e viver a vida que
sempre sonhei. Mas não dá quando há forças que nos prendem ao chão como raízes.
O que faço? Não posso lutar mas também não posso ficar aqui
e chorar todas as vezes que me lembro.
As lágrimas não podem escorrer todas as noites antes de
dormir e todos os dias ao acordar.
O balão devia subir mas não devia rebentar.



